Quando uma empresa analisa os seus custos operativos, costuma fixar-se em aspetos como a energia, as matérias-primas, a logística ou os recursos destinados aos colaboradores. No entanto, existe um elemento que raramente aparece nas reuniões de direção e que pode ter um impacto direto na produtividade, na segurança e na rentabilidade: o design do balneário.

Para muitas organizações, o balneário é simplesmente mais um espaço. Um lugar onde os colaboradores mudam de roupa antes e depois da sua jornada de trabalho. Mas quando este espaço está mal desenhado, não só gera incómodo, como também gera custos.

De que custo estamos a falar? Depende de vários fatores, como o tamanho da empresa, o setor ou a utilização, mas adiantamos-lhe que, para uma empresa de cerca de 120 trabalhadores, o custo oculto de um balneário mal desenhado pode ser equivalente a 1 colaborador a tempo inteiro durante todo um ano.

E vamos detalhá-lo de seguida. Quanto custa realmente um balneário mal desenhado?

O tempo perdido num balneário é dinheiro. (Vejamos números)

Um dos maiores custos invisíveis é o tempo. Vejamos um exemplo:

– Numa empresa com 120 colaboradores

– Perder 4 minutos diários por trabalhador devido a filas, falta de espaço, distribuição ineficiente ou problemas de acesso

– E estabelecendo cerca de 240 dias úteis anuais

– Resulta em 115 200 minutos perdidos por ano (1920 horas)

– O que equivale, numa jornada de 8 horas, a 240 dias de trabalho

➡️ Exatamente o equivalente a 1 colaborador a tempo inteiro

– Se estabelecermos um custo/hora médio para a empresa entre 20 € e 40 €/h, dependendo do setor (fonte de dados do INE), extrapolamos que:

Uma empresa de 120 trabalhadores que perde cerca de 4 minutos por colaborador e dia devido a um balneário mal desenhado acumula 1920 horas improdutivas por ano, o equivalente a 240 jornadas de trabalho completas ou ao trabalho anual de um colaborador a tempo inteiro. Dependendo do custo laboral da organização, ➡️ o impacto económico pode situar-se numa faixa entre 38 400 e 76 800 euros anuais.

A conclusão é clara: quando um espaço obriga a perder tempo todos os dias, deixa de ser um problema de instalações e passa a ser um problema financeiro.

Mas o custo oculto de um balneário não é apenas o tempo improdutivo…

Em muitas decisões de compra continua a predominar o critério do preço inicial. No entanto, os responsáveis financeiros sabem que o verdadeiro indicador é o Custo Total de Propriedade (TCO).

Um cacifo em que o único fator tido em conta tenha sido o preço pode exigir substituições, reparações ou reposições muito antes do previsto. A humidade, os produtos químicos, o uso intensivo ou a limpeza frequente aceleram a sua degradação.

Pelo contrário, um equipamento com materiais de qualidade desenhados e adequados a ambientes profissionais exigentes em termos de utilização ou humidade pode manter as suas prestações durante muito mais tempo com uma manutenção mínima.

A diferença não está em quanto custa comprá-lo, mas sim em quanto custa mantê-lo operacional durante toda a sua vida útil.

Assim, a pergunta correta de um bom responsável de compras não deveria ser:

«Quanto me custa equipar o balneário com o fornecedor X?»

A pergunta correta é:

«Quanto me vai custar mantê-lo operacional durante (N anos) com o fornecedor X?»

Esta abordagem muda por completo a decisão de compra. Um balneário de empresa deve ser avaliado pela durabilidade, resistência ao uso intensivo, facilidade de limpeza, higiene, segurança, manutenção e vida útil.

O impacto sobre a segurança e a conformidade normativa

Os balneários são um espaço especialmente crítico em setores como o da alimentação ou da saúde.

Uma fraca organização dos espaços pode provocar:

  • Mistura de roupa de trabalho e roupa de rua.
  • Problemas de higiene.
  • Riscos de contaminação cruzada.
  • Incumprimentos em auditorias internas ou externas.
  • Incidências relacionadas com a segurança dos pertences

O custo de uma não conformidade ou de uma incidência grave pode superar largamente qualquer poupança obtida durante a compra inicial do equipamento. Por isso, cada vez mais empresas consideram o balneário como parte da sua estratégia de gestão do risco.

A legislação aplicável estabelece as disposições mínimas de segurança e saúde nos locais de trabalho, determinando orientações sobre os balneários, as instalações sanitárias, a ordem, a limpeza, a manutenção e a obrigação de separar a roupa de trabalho e a de rua quando necessário por motivos de contaminação, sujidade ou humidade. Isto transforma o balneário em muito mais do que um espaço funcional.

Espaço desperdiçado, investimento ineficiente

O espaço é um dos ativos mais valiosos de qualquer organização. No entanto, muitos balneários foram desenhados há anos para uma realidade operativa completamente diferente da que as empresas têm na atualidade.

Equipas maiores, novos turnos, mudanças organizativas ou novas necessidades de armazenamento fazem com que muitos espaços tenham ficado desatualizados e funcionem hoje abaixo do seu potencial.

Uma redistribuição adequada pode aumentar significativamente a capacidade disponível sem necessidade de ampliar as instalações, o que nos conduz não só a uma questão estética, mas também de rentabilidade.

O balneário de empresa é um dos primeiros e últimos espaços que muitos trabalhadores utilizam todos os dias. Se estiver deteriorado, for incómodo, cheirar mal, não oferecer privacidade ou transmitir abandono, a perceção da empresa ressente-se.

Assim, o Relatório sobre a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho da agência Eurofound inclui o ambiente físico dentro das dimensões-chave da qualidade do emprego, juntamente com fatores como a intensidade do trabalho, o tempo, os colegas, as perspetivas e a remuneração.

E não é por acaso: o espaço comunica, e um balneário bem desenhado transmite ordem, segurança e respeito. Um mal desenhado transmite improvisação.

As empresas eficientes já não consideram estes espaços como uma despesa secundária. Consideram-nos uma infraestrutura estratégica que influencia diretamente a produtividade, a segurança e a rentabilidade do negócio.

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